Sondagem quer dizer investigar, sondar, observar, analisar. E, no caso deste texto, analisar o solo. A análise do solo é um processo de reconhecimento, a fim de verificar o tipo de solo, identificar e classificar as camadas existentes, o nível do lençol freático e a capacidade de carga e resistência daquele solo. Essa prática fornece informações muito importantes e essenciais para o desenvolvimento das obras.
O tipo de sondagem mais utilizado é a Standard Penetration Test (SPT), ou Ensaio de Penetração Padrão, utilizado para determinar o tipo de solo, a resistência e o nível de água. Para realizar esse tipo de sondagem é utilizado um tubo na vertical, o qual será introduzido no solo através de um furo e golpeado com um martelo apropriado. As informações que são obtidas através dessa prática estão relacionadas ao número de golpes que são necessários para o tubo penetrar trinta centímetros no solo, e a cada golpe é verificado a profundidade que esse tubo avança. Desse modo, é possível verificar o chamado NSPT (Índice de Resistência à Penetração do Solo).
Atualmente, existe uma norma, a ABNT NBR 6484, que é responsável por especificar o método de execução de Sondagens de Simples Reconhecimento com SPT. Além dessa, também temos a norma ABNT NBR 8036, que define a Programação de Sondagem de Simples Reconhecimento dos Solos para Fundações de Edifícios. Como exemplo podemos citar a quantidade correta de furos que deve ser feita na área total para análise do solo. De acordo com essa norma, é necessário fazer dois furos se a área for inferior a 200 m²; fazer três furos se essa área for entre 200 e 400 m²; de 400 a 1.200 m², um furo a cada 200 m²; entre 1.200 e 2.400 m², um furo por 400 m² e acima disso, o número de sondagens fica a critério do profissional capacitado para tal atividade. Porém, no caso de não saber a dimensão exata da área analisada, é necessário realizar no mínimo três furos padronizados e distribuídos uniformemente, com uma distância que não exceda 100 metros.
Feito todo o processo prático da sondagem, obtêm-se os boletins de sondagem, que trazem os resultados do processo que foi realizado, a distribuição de camadas do solo, qual o NSPT de cada estrato, as características do solo que as compõem e o nível em que está o lençol freático.
O teste de percolação do solo é um tipo de ensaio de sondagem, utilizado para calcular com precisão o dimensionamento de sistema de tratamento de afluentes líquidos. A norma que regulariza essa prática é a ABNT NBR 13969 (Anexo A). Percolação está relacionado com a infiltração e absorção, nesse caso, do solo. Também é utilizado para definir a probabilidade de certos rejeitos líquidos se romperem ao atingirem os solos, como por exemplo, as fossas. É importante destacar que o teste de percolação diz respeito à zona superficial do solo, em que os poros se encontram cheios de ar.
Para realizar o ensaio de percolação do solo, é preciso os seguintes materiais: régua, cronômetro, ferramenta para escavar o solo e água em abundância. É preciso escolher pontos do terreno e em cada um deles cavar uma cova quadrada e padronizada em todos os locais, deixar a superfície da cova totalmente regular e cobrir o fundo com cerca de 0,05 m de brita nº 1. Feito isso, é preciso encher as covas de água, mantendo-as cheias por 4 horas e observar o tempo que a água leva para infiltrar no solo. Através disso, é possível interpretar a capacidade de infiltração do solo. O relatório final revela a taxa de percolação (min/m) e a taxa de aplicação diária (m3/m2.dia).